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Educação
Musical Willems
Carmen
Mettig Rocha
Audição
Encontra-se comumente alunos de curso superior que ainda
têm dificuldade em ouvir; seja pela deficiência
de método empregado (que valoriza em excesso
o cerebralismo) ou mesmo a não utilização
de exercícios com material sonoro; o fato é
que a deficiência existe.
No método Willems, o desenvolvimento auditivo
tem um papel importante na educação musical.
Esta preparação auditiva entretanto deve
ser anterior ao estudo do instrumento ou mesmo a fase
do solfejo e pode-se dizer que um trabalho auditivo
preliminar constitui uma das bases essenciais da musicalidade,
isto porque, ao mesmo tempo que favorece a compreensão
de qualquer tipo de música, permite a toda criança
(mesmo que se diga “sem ouvido” a um desenvolvimento
progressivo até chegar ao estudo do solfejo).
Willems confirma em seus livros que o ouvido
pode ser desenvolvido.Com isso ele distingue
o órgão auditivo de sua função
orgânica. Se o órgão na sua estrutura
biológica não pode ser influenciado pela
educação auditiva, a capacidade funcional
entretanto pode evoluir em decorrência do exercício
da audição. Logo, importante é
saber que, pela educação nós podemos
despertar e desenvolver o funcionamento do órgão
auditivo.
Deve o professor poder descobrir os obstáculos
que freqüentemente impedem o órgão
auditivo de ser receptivo às impressões.
Aprender a escutar significa aprender
a receber as impressões externas.
Para
Willems a audição embora seja uma atividade
sintética, também se realiza em três
domínios diferentes:
•
A sensorialidade auditiva
• A sensibilidade afetiva auditiva
• A inteligência auditiva
A
primeira é a base material indispensável
á arte musical. É a atitude do órgão
para receber impressões (aspecto passivo,sensitivo).
Desenvolve-se através de exercícios com
vasto material sonoro.
A segunda inicia no momento que se passa do ato passivo
de ouvir para o ativo, subjetivo de escutar.
Um escutar com interesse, pois quando fixa a atenção,
reforça-se conseqüentemente a acuidade dos
membros acústicos. Neste domínio estão
contidos todos os elementos de ordem melódica
(audição relativa, intervalos melódicos,
a escala, senso tonal etc.).
A terceira comporta elementos de ordem mental. É
a síntese abstrata das experiências sensoriais
e afetivas porque trabalha sobre seus dados.
A inteligência auditiva é
o conhecimento do que se ouviu e escutou. Através
dela é que se utiliza a leitura e escrita musicais
para fixar e transmitir o pensamento sonoro.
Como já foi dito, os três domínios
estão interligados, mas o professor deverá
estar atento para saber em que proporções
eles se apresentam.
Um bom musicista deve ter a audição
(passiva, ativa, criadora) registrar fielmente os sons
exteriores, reagir emotivamente e ser capaz de tomar
consciência dos sons registrados.
Deve o professor adaptar os exercícios nos diferentes
casos, como sejam: se se trata de aula individual, pequeno
grupo ou grupo numeroso.
É necessário adquirir um vasto material
sonoro para o desenvolvimento auditivo, e saber ordenar
os exercícios por grau de dificuldade.
No trabalho auditivo trabalha-se: direção
do som, distância, natureza das fontes sonoras,
o silêncio, o espaço intratonal, a canção,
a escala, escutar, reconhecer, reproduzir, emparelhar,
classificar, ordenar, a subida e descida do som, improvisação,
nome de notas, os graus etc.
A
música sendo uma arte sonora, ela se direciona
ao ouvido, à audição interior,
por isso mesmo a atenção é indispensável
ao trabalho. O maior objetivo do professor será
fazer experimentar o som, desenvolvendo o interesse
pelo que ouviu e o desejo de reproduzir, favorecer o
cantar belas canções, apelar para a imaginação
auditiva e despertar o desejo de criar, improvisar.
(Algumas considerações sobre o som)
O som é a matéria básica da arte
musical. É um fenômeno fisiológico
que acontece no ouvido interno.É difícil
se precisar quando ele passa de vibração
para som musical.Sabe-se entretanto que faz - se necessário
o uso das faculdades humanas para ele se elevar ao plano
musical.
Se a vibração é de ordem objetiva,
o som musical é um fenômeno de ordem subjetiva.
Para a vibração se tornar som musical
é necessário ter a rapidez de 16 a 32
vibrações por segundo ser periódica
regular e organizada.
O
som possui qualidades principais e secundárias
| Qualidades
principais |
Qualidades
secundárias |
| |
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| Altura |
Volume |
| Timbre |
Densidade |
| Intensidade |
Clareza
etc. |
Duração (mais de ordem rítmica) |
|
A
altura depende do comprimento da onda
e de sua freqüência.
A intensidade depende da amplitude
da onda.
O timbre depende da forma da onda.
Willems
desde 1915 descobriu o triplo aspecto da audição
e mais tarde, teorias científicas comprovaram
que o nervo auditivo não vai diretamente ao cérebro;
ele passa pelo bulbo (sede das ações
reflexas) depois segue para o nível diencéfalo
(sede das emoções) e somente mais tarde
é que chega ao córtex cerebral
(sede das reações intelectuais).
Isto serviu para comprovar cientificamente a teoria
de Willems que no seu método encara a audição
no seu triplo aspecto:
•
Sensorial
• Afetivo
• Mental
Bibliografia:
Edgar
Willems Oreille Musicale I
Oreille Musicale II
Cahier Pedagogique nº 3
Le Valeur Humaine D’ Education Musicale
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