Música na Educação

(Algumas observações sobre o trabalho de Educação Musical)

Carmen Mettig Rocha


É importante que se esclareça desde o início do curso, o porquê da disciplina Música no currículo e as finalidades gerais e específicas da música na Educação.
Partindo-se do princípio de que o professor necessita além dos conhecimentos que adquire dentro de sua área, uma sensibilização mais profunda, uma vivência de aspectos do seu potencial que ainda não foi trabalhado, achamos por bem, oportunizar esta experiência artística musical que tão significantemente poderá colaborar no comportamento humano, na sua maneira de agir, sentir, pensar.
A Música como toda arte é um excelente meio de expressão e comunicação e podemos mesmo dizer que é a linguagem universal pois enquanto as línguas diferem entre si, a linguagem sonora é a única forma idêntica de comunicação entre os povos.

A Música como excelente recurso socializante.

Entre as artes, a música desempenha um papel socializador pois para se cantar, tocar em conjunto exige um comportamento social.
Enquanto a pintura, escultura, são artes individuais, a música pede uma interparticipação grupal que facilita um relacionamento e integração mais eficazes.

A Música como meio de desinibição.

O trabalho rítmico, a marcha, a canção, o movimento corporal, têm a capacidade de deixar-nos no nosso maior grau de espontaneidade; através das experiências alegres e descontraídas as pessoas ficam mais confiantes, saudáveis e verdadeiras.

A Música como processo terapêutico

O som, tem o poder de equilibrar e acalmar tensões.
A música quando bem escolhida cria uma atmosfera propícia a um sentimento de paz, tranqüilidade, alegria e elevação.
Experiências musicais tem comprovado sua eficiência no comportamento humano.
Grupos agitados, crianças buliçosas, desatentas que se acalmam, se equilibram emocionalmente, crianças inseguras, arrítmicas que através do desenvolvimento de um trabalho musical (ritmo e som) conseguem auto afirmar-se.
O poder psicológico que a música insere permite-nos afirmar que a educação musical pode funcionar como um valioso recurso terapêutico.

A Música como recurso auxiliar da aprendizagem


Não deve estranhar o fato da música ser uma motivação no processo educativo; está comprovado que através de exercícios da audição que exige uma maior concentração, através do desenvolvimento da memória, propicia -se ao aluno uma atenção mais permanente, mais duradoura o que facilitará conseqüentemente o processo de aprendizagem.
Crianças atentas, crianças trabalhadas auditivamente estarão mais aptas, mais receptivas aos conteúdos que se lhes apresentam.
No trabalho da educação musical a criança exercita continuamente as suas funções intelectuais como sejam: atenção, percepções (auditiva em primeiro plano), memória e imaginação.
Através de exercícios de improvisação poderão exercitar a sua criatividade, elemento indispensável no processo educativo.

A Música como meio de sensibilização

Aí está o ponto central das metas da educação musical. Só a arte e a música por excelência,desperta o trabalho da afetividade.
Os cursos iniciais, preocupa-se com o trabalho da sensório motricidade, com a aquisição de hábitos saudáveis, coordenação e independência corporal, socialização; depois disso a preocupação principal da escola está em torno de conteúdos, da aprendizagem que é de natureza intelectual, cerebral.
Assim, fica o aluno sectarizado. Trabalhando corporalmente, fisiologicamente e cerebralmente. Perguntamos então: Onde fica o trabalho da sensibilidade? da afetividade infantil?
A criança está na fase de desenvolvimento das suas emoções, de seus sentimentos e tem que ser educada nestes importantes aspectos que têm sido tão comumente relegados.
Através do trabalho de educação musical se processa um despertar e um enriquecimento da sensibilidade.
As crianças tornam-se mais sensíveis e possuidores de um gosto artístico mais apurado.
Deve-se oportunizar ao jovem de ouvir uma boa música. Desde cedo as crianças precisam ser criadas dentro de uma atmosfera, onde a Beleza possa penetrar em seus corações; só assim, poderão elas aprimorar o seu gosto estético e o seu critério de julgamento em relação a qualquer obra de arte.
Será necessário ainda dizer que:

• A música é um meio de cultura humana?
• A música sensibiliza para a vida?
• A música é uma fonte de lazer?
• A música permite emergir dentro de nós mesmos, todo o nosso potencial criador?
• Que a música faz transceder o homem?
• Que a música propicia ao homem desenvolvimento ao mesmo tempo, que fisiológico, afetivo e mental, o desenvolvimento do seu aspecto espiritual?

Penso que já seria o bastante para justificar a importância do trabalho musical nas escolas, da presença da musica na vida.

A música está dentro de nós: na pulsação, no ritmo do nosso coração, no equilíbrio da nossa circulação, na harmonia do nosso organismo, verdadeiro microcosmos.

Na natureza, vemos o ritmo das estações, o ritmo do ciclo das marés, do dia, da noite, a melodia do canto dos pássaros, o movimento das árvores, os sons dos ventos, das chuvas, a harmonia dos astros, tudo isso, num perfeito equilíbrio universal.

A música por ser uma arte mais complexa, requer do ser humano uma maior interiorização, uma sensibilidade mais profunda.
Se a música desenvolve o homem de uma maneira inteira, ela deve ser vivenciada por todos.

Não queremos que todas as pessoas venham se tornar artistas, mas que tenham a chance de viver uma experiência musical, o que lhes proporcionará um crescimento integral.
Vivenciar a música, exaltando a Beleza enriquecendo a sensibilidade elevando os corações.

Concluiria lembrando o que nos disse uma vez o grande pedagogo Edgar Willems,
homem de um profundo conhecimento sobre princípios filosóficos, psicológicos e humanos da música:

“A Música deve nascer e crescer segundo as leis da vida”
Leis da Beleza, do Bem e da Verdade