Reflexões


Carmen Mettig Rocha

Será que o mundo de hoje comporta a educação musical?

Por que os dirigentes não fazem uma política em que a música integre
definitivamente o currículo das escolas?

Estamos vivendo uma fase muito difícil e complexa.
Na política presenciamos a descrença, a desesperança, a revolta em ver tanta demagogia, tanta corrupção, tanta falta de valores, aqueles valores que nos foram tão bem ensinados por nossos pais.
Constatamos a tecnologia “avançada”, os jogos dos computadores, os bate papos pela internet, contribuindo para a imobilidade de nossas crianças e mais que tudo obstruindo-lhes a fase mais importante de suas vidas: as brincadeiras, os jogos de correr, as cirandas, enfim o lúdico tão importante para um crescimento salutar.

Ao criarmos um mundo artificial para nossas crianças, produzimos sérias conseqüências no seu mundo afetivo.
O excesso de informações que lhes estamos oferecendo está realmente obstruindo a inteligência e o seu prazer de viver, transformando suas memórias num depósito de informações inúteis.

Muitas vezes é por essa razão que as crianças perderam o prazer das pequenas coisas e a escola deixou de ser uma aventura agradável (Augusto Cury)
Os alunos estão estressados, insensíveis, os professores cansados e desiludidos e por isso está mais do que na hora de se cuidar da emoção, para que as crianças e jovens iniciem uma fase de conhecimento de si mesmo e do mundo que lhes cerca.

A beleza, a emoção, a sensibilidade, a amizade, a solidariedade são aspectos que devem ser estimulados para que a humanidade não se torne vítima do sistema social em que se encontra.
As crianças precisam de limites, as crianças precisam da presença dos pais, as crianças precisam do diálogo, da convivência companheira, do afago, do incentivo à auto-estima e do exemplo de seus familiares.
Como escreve o excelente autor Augusto Cury em seu livro “Pais Brilhantes, Professores Fascinantes” (recomendável aos pais e professores) “Os filhos não precisam de gigantes, precisam de seres humanos”.
Sorria com seu filho; chore, abrace, conte as histórias de sua vida, compartilhe seus temores, suas expectativas, tristezas e alegrias. Esse é o elo da emoção, do afeto e do amor.

Diante da importância do afetivo na vida do ser humano, constatamos o quanto a música (arte da sensibilidade por excelência) pode colaborar na educação integral da criança e da juventude.
Sim, a arte musical é uma possibilidade de tornar o homem mais humano.
Segundo o pensamento do grande e saudoso pedagogo Edgar Willems a música tem ligações profundas com o ser humano.
O ritmo, a melodia e a harmonia são aspectos da sensorialidade, da afetividade e da inteligência, provando que a música está dentro de nós e que o educador não “ensina” a música ele “vive” a música com os seus alunos.

Willems propõe uma educação musical humana; é através do contato com um material auditivo especial, da beleza das canções, do desenvolvimento progressivo da vida rítmica, do trabalho de locomoção e movimento corporal que a criança inicia a sua vida musical de forma sensível, inventiva e criativa.
É mesmo uma pena que a música não seja priorizada nas políticas governamentais; a escola seria o lugar ideal para oportuniza-la a um maior número de alunos, favorecendo-lhe uma educação mais completa.
Se isso não acontece é pelo fato do não conhecimento do valor da música, da falta de sensibilidade e determinação do governo em realizar uma mudança de paradigmas.

Então, nossa tarefa é muito importante; ser educador musical é um presente, é uma missão, é um ato de fé.
É sensibilidade, amor, paixão; é acreditar na possibilidade do crescimento de cada ser; é despertar o potencial de cada criança!
Estamos aqui, vivendo a música, divulgando a alegria através da música, educando pela música, tornando-nos (a nós mesmos e nossos alunos) pessoas melhores e com certeza, mais felizes!